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authorSilvio Rhatto <rhatto@riseup.net>
Mon, 12 Dec 2016 14:28:44 +0000 (12:28 -0200)
committerSilvio Rhatto <rhatto@riseup.net>
Mon, 12 Dec 2016 14:28:44 +0000 (12:28 -0200)
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index 4f6be781258e2d18e9ef142aaead099b4232031e..f0268b8704909aa530bae4b6a58cca0473d7fb48 100644 (file)
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-[[!meta title="A Arte de Viver para Novas Gerações"]]
+[[!meta title="A Arte de Viver para as Novas Gerações"]]
 
 Sobre
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-A Arte de Viver para Novas Gerações, Raoul Vaneigem.
+A Arte de Viver para as Novas Gerações, Raoul Vaneigem.
 
 Versões
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@@ -712,3 +712,53 @@ Trechos
     um tijolo um militar torturador, e não se poderia fazer dele um homem?
 
     -- 143
+
+    O espaço é um ponto na linha do tempo, na máquina que transforma o futuro em
+    passado.  O tempo controla o espaço vivido, mas controla-o do exterior,
+    fazendo-o passar, tornando-o transitório. Contudo, o espaço da vida individual
+    não é um espaço puro, e o tempo que o arrasta não é também uma pura
+    temporalidade. Vale a pena examinar a questão com mais cuidado.
+
+    Cada ponto terminal na linha do tempo é único e particular, e entretanto logo
+    que se acrescenta o ponto seguinte, o seu predecessor desaparece na
+    uniformidade da linha, digerido por um passado que já conhece outros pontos.
+    Impossível distingui-lo. Cada ponto portanto faz progredir a linha que o faz
+    desaparecer.
+
+    [...]
+
+    Por mais que o espaço vivido seja um universo de sonhos, desejos, de
+    criatividade prodigiosa, ele não passa em termos de duração de um ponto que
+    sucede a outro ponto correndo segundo um único princípio, o da destruição. Ele
+    aparece, se desenvolve e desaparece na linha anônima do passado na qual o seu
+    cadáver se torna matéria-prima aos lampejos da memória e aos historiadores.
+
+    [...]
+
+    O espaço cristalino da vida cotidiana rouba uma parcela de tempo exterior
+    graças à qual se cria uma pequena área de espaço-tempo unitário: é o
+    espaço-tempo dos momentos da criatividade, do prazer, do orgasmo. O lugar dessa
+    alquimia é minúsculo, mas a intensidade vivida é tal que exerce na maioria das
+    pessoas um fascínio sem igual. Visto pelos olhos do poder, observando do
+    exterior, esses momentos de paixão não passam de um ponto irrisório, um
+    instante drenado do futuro pelo passado. A linha do tempo objetivo nada sabe –
+    e nada quer saber – do presente como presença subjetiva imediata. E por sua
+    vez, a vida subjetiva apertada no espaço de um ponto – a minha alegria, o meu
+    prazer, as minhas fantasias – não gostaria de saber nada sobre o
+    tempo-que-escoa, o tempo linear, o tempo das coisas. Ela deseja, pelo
+    contrário, aprender tudo do seu presente já que afinal ela nada mais é que um
+    presente.
+
+    -- 148
+
+    O projeto de enriquecimento do espaço-tempo da experiência vivida passa pela
+    análise daquilo que o empobrece. O tempo linear só domina os homens na medida
+    em que lhes impede de transformar o mundo, na medida em que os coage portanto a
+    se adptarem.  Para o poder, o inimigo número um é a criatividade individual
+    irradiando livremente. E a força da criatividade está no unitário. Como se
+    esforça o poder para quebrar a unidade do espaço-tempo vivido? Transformando a
+    experiência vivida em mercadoria, lançando-a no mercado do espetáculo, ao sabor
+    da oferta e da procura por papéis e estereótipos (foi isso que discuti nas
+    páginas dedicadas aos papéis, no capítulo XV).
+
+    -- 150